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Quando usar Tripé para Fotografar

  • 25 de set. de 2017
  • 5 min de leitura

O tripé será talvez dos equipamentos de fotografia o instrumento que nos faz ter em relação a ele um duplo sentimento de amor/ódio. E porquê? Há fotografias que é impossível fazer sem ele, mas fazer fotografia de natureza e carregar com aquele peso suplementar é duro.

Quando lemos informações de fotógrafos profissionais, principalmente de fotografia de paisagem, reparamos que recorrem ao tripé na sua quase totalidade. Vamos então saber as razões que levam tantos fotógrafos a fazer o sacrifício de carregar com o tripé.

À partida o tripé será visto como algo negativo, devido à restrição da liberdade de movimento. A sua função é mesmo impedir o movimento. Mas dá-nos a liberdade de poder escolher a velocidade de obturação, sem estar com a preocupação de uma fotografia ficar tremida. Então isto chama-nos a atenção para outro problema. A partir de que velocidade de obturação temos de "obrigatoriamente" usar tripé?

Velocidade mínima para fotografar sem tripé

Há uma pequena fórmula que se aplica à maioria dos utilizadores e que nos garante que desde que se esteja dentro desse valor confortável para fotografar com a máquina na mão e não se sofra de nervoso miudinho, em princípio a fotografia não irá ficar tremida. Podemos fazer uma experiencia, pegamos num ponteiro laser e apontamos para uma parede a um metro de nós, o objectivo é ter a bolinha sem se mover. Agora apontamos para uma parede a 100 metros de nós. Certamente vão verificar que vai ser muito mais difícil manter a luz fixa num só ponto, porque ao mínimo tremor da mão a distância vai ampliar o movimento. Como é que isto se aplica à fotografia? Certamente já toda a gente reparou que olhando pelo visor, a imagem fica mais estável com uma distância focal se 18mm do que com uma distância focal de 200mm. É como olhar pelos binóculos, quanto maior a ampliação, mais difícil é não tremer.

Então a tal formula que referi, vai relacionar a velocidade de obturação, isto é, o tempo que o sensor está a registar luz, com a distância focal, por outras palavras, mais ou menos zoom.

Formula para não ter fotos tremidas

A velocidade de obturação é medida em segundos ou parcelas de segundo e é normalmente apesentado pela unidade sobre um divisor.

O que a fórmula diz é que o divisor da velocidade de obturação terá de ser maior ou igual à distância focal.

Voltando ao exemplo anterior, se estiver a usar uma distância focal de 18mm, usar uma velocidade de 1/20 (não há 1/18) em principio temos algumas garantias que a fotografia não vai ficar tremida. Mas se usar uma distância focal de 200mm e mantiver a velocidade de 1/20 a probabilidade de ficar tremida é muito grande. Então para 200mm a velocidade mínima recomendada será 1/200. No tempo da fotografia analógica, que se fotografava numa pelicula que tinha de ir a revelar e só uma semana depois se via o resultado, a recomendação era para passar para o dobro. Se fotografa com 18mm seria 1/40 a velocidade recomendada. Mas hoje nós podemos ver o resultado logo após ter fotografado.

Ainda temos mais um factor a nosso favor, hoje a grande maioria das objectivas tem estabilizador de imagem, então podemos ter a garantia que desde que o divisor da medida do tempo na velocidade seja maior ou igual à distância focal, a fotografia vai ficar nítida.

Atenção a uma coisa importante, a fotografia vai ficar nítida no que depende do fotógrafo, isto é, de ele tremer ou não. Porque podemos estar a fotografar um motivo em movimento e aí quem manda na velocidade é o que está a ser fotografado. Um exemplo: fotografar uma ave com uma distância focal de 200mm. Bem se a ave está imóvel, tudo bem,1/200 chega, mas basta ela girar a cabeça para ficar tremido, porque os seus movimentos são sempre muito rápidos. Para aves uso sempre acima de 1/500 independentemente da distância focal.

Só mais uma achega mas que normalmente também é compensada pelo estabilizador de imagem. A maior parte das máquinas fotográficas do mercado não têm sensores full frame, isto é, o sensor não é do tamanho dos antigos negativos, é mais pequeno havendo uma relação que depende da marca.

Então vai haver uma ampliação da distância focal. Na Canon de 1,6x e na Nikon de 1,5x. Outras marcas, é consultar as características técnicas.

Na prática 200mm para um sensor APS-C na Canon equivale a 320mm e na Nikon a 300mm. Mesmo assim se a pessoa fotografar calmamente e com o estabilizador de imagem a foto vai ficar nítida.

Quando é obrigatório usar tripé?

Depois do que se referiu já dá para se saber quando é que devemos recorrer ao tripé. Sempre que seja necessário usar velocidades em que o divisor seja inferior à distância focal, temos de usar tripé. Ou então se pretendermos fazer uma série de fotografias sem haver movimento da máquina em relação ao objecto.

Há uma coisa muito importante na fotografia, uma foto tremida não tem salvação, vai ficar sempre tremida. O que quero dizer com isto? Na edição não é possível recuperar uma fotografia tremida. É possível compensar a nitidez, a luz, as cores, mas se estiver tremida, vai continuar sempre tremida.

Então se estiver sem tripé, é preferível fazer uma foto escura do que tremida. Se tiver de aumentar o ISO para poder ter uma velocidade que garanta que não vai tremer, é sempre melhor do que optar por correr o risco da fotografia ficar tremida.

Mas aqui já estamos a falar das vezes que devíamos ter levado o tripé. Com ele temos a liberdade de escolher a velocidade mais apropriada ao que vamos fotografar sem estar preocupados com ficar ou não tremida. Mas o uso do tripé também tem regras. - Sempre que use tripé desligue o estabilizador de imagem, porque se o mantiver ligado, corre o risco da fotografia ficar tremida.

- Use um tripé que esteja preparado para o peso do seu equipamento.

- O objectivo do tripé é que não trema, não acredite é promoções de tripés a 20€ porque eles só se estão a querer ver livres deles. Depois o tripé tem umas varinhas como pernas que tremem mais do que se tiver a máquina na mão.

- O tripé deve de ter um gancho para prender a mochila ou outra coisa pesada e que lhe vai dar estabilidade, principalmente quando há algum vento.

- Finalmente o tripé deve de ser versátil, que permita colocar a máquina virada para baixo ou em posições que sejam difíceis de as fazermos com a mãos, isso vai aumentar muito a utilidade desta ferramenta.

- Quando adquirir um tripé pense que vai ter de carregar com ele, mas pense também que ele para ser útil vai ter de ser estável. De outra forma é um peso morto que não tem utilidade.

Conclusão

O tripé é uma ferramenta que apesar de restringir os movimentos permite uma composição pensada e cuidada da imagem. Ao mesmo tempo dá-nos total liberdade para a escolha da velocidade de obturação, ou seja, o tempo em que o sensor vai estar a recolher a imagem. Sei que neste momento podem existir algumas duvidas suscitadas por este artigo, como por exemplo, qual a velocidade de obturação que afinal devo de usar? Se a fotografia fica boa com velocidades altas, porque não optar pela mais alta que a máquina tem e fica o problema resolvido?

Isto lança-nos para um outro tema que é a exposição onde se vai relacionar a velocidade de obturação, a abertura do diafragma e o ISO.


 
 
 

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