Gama Dinâmica
- 20 de mar. de 2017
- 4 min de leitura

Normalmente nesta parte de informação técnica, escrevo em função das questões que me colocam e ultimamente tem vindo muito à baila a gama dinâmica.
Então o que vem a ser isso?
É importante?
Na verdade é completamente transparente para o utilizador, visto não haver forma de actuar directamente sobre ela, é uma característica do sensor, tal como os milhões de pixel que é constituído.
No entanto vivemos num mundo onde há coisas que acabam por virar manchetes publicitárias, toda a gente fala delas mesmo sem saber o que é, os megapixel das máquinas fotográficas são disso um exemplo. Mas há mais, é a banda larga nas comunicações moveis, é o digital nos aparelhos electrónicos, é o turbo nos equipamentos mecânicos e outros... Se questionarmos por exemplo o vendedor do equipamento que apregoa aquela vantagem ou característica, vamos obter respostas hilariantes.
Voltando às máquinas fotográficas, vou tentar dar um exemplo comparativo com algo do conhecimento comum, para não ter de entrar com informações muito técnica, onde se contam fotões e tempos finitos de exposição, porque por aí uma boa parte ia ficar a saber o mesmo ou adormecia durante a leitura.
Então vamos a uma definição e depois tentar explicar: A gama dinâmica é a proporção entre o luz zero, isto é preto total e a luz máxima que o sensor consegue captar, branco total.
Para fazer um comparativo com algo do senso comum, tendo consciência que um comparativo deste tipo nunca contempla todas as hipóteses, vamos imaginar cada pixel como um copo e a luz como o líquido que pode ou não estar presente no copo.
Quando fazemos a fotografia, as cortinas vão deixar passar luz, no nosso caso vão deixar passar água para encher os copos.
Se o diafragma está muito aberto eles vão encher mais rapidamente, se estiver fechado mais lentamente.
O tempo de exposição é aqui a válvula aberta, quanto mais tempo a passar água mais enchem.
Se quisermos ainda arriscar meter o ISO na comparação, podemos imaginar copos de geometria variável e assim o ISO é a abertura da boca do copo, mas isto é já esticar muito a comparação. Acho que a abertura do diafragma e exposição chega para entender.
Então no exemplo o que fica após o fecho da válvula? Uns milhões de copos, que cada copo é um ponto da imagem, uns com mais outros com menos água. Alguns secos, outros a deitar por fora. É assim, com base nessa informação que a nossa imagem se vai compor. No entanto há nos copos duas situações que não nos vão dar a informação que queremos.
Os que ditam por fora, branco total, não sabemos à quanto tempo estão a deitar por fora e os secos, ficamos sem saber quanto tempo mais teríamos de deixar a água entrar para haver lá algum liquido que se pudesse contabilizar.
Então, quando ajustamos a abertura e a exposição da nossa fotografia, é muito importante evitar a existência de zonas sem informação.
Como vamos fazer?
Praticamente todas as DSLR têm uma opção no modo de visualização que pouca gente utiliza, que é a visualização do histograma.

Ele vai nos indicar a distribuição da luz pelos diferentes "copos" e se estão vazios (gráfico encostado ao lado esquerdo dos histograma).

ou a deitar por fora (gráfico encostado ao lado direito do histograma).

Com base nesta informação, mesmo que a leitura e respectivo controlo automático esteja a ser enganado e dê uma exposição errada, podemos fazer uma compensação consciente.
Mas onde é que a gama dinâmica se diferencia de um sensor para o outro?
Então agora já estamos em condições de continuar a atribuir comparativos ao exemplo dos copos. A gama dinâmica aplicada ao exemplo dos copos, é nada mais nada menos que a capacidade do copo. Se temos um copo que leva pouco, a diferença entre copo cheio e copo vazio é pouca, a nossa imagem vai ser pouco rica em diferenças de luz. Agora se temos um copo muito grande, podemos ter uma grande informação entre zonas escuras (com pouca água) e zonas claras (com muita água) sem nunca exceder a capacidade do copo.
Esta não é uma informação que as marcas disponibilizem com a mesma facilidade que a contagem dos pixels e muito menos os empregados das lojas estão preparados para explicar ao cliente.
No entanto cada um tem a máquina que tem e o importante é a saber usar de forma consciente tirando o máximo partido da mesma. A inclusão da informação do histograma na visualização da fotografia é algo que eu recomento vivamente, porque se o gráfico não se encontrar centrado com uma boa distribuição pelo espaço mas sem tocar nas extremidades não há recuperação possível durante a edição. A zona esquerda quer dizer que há "copos vazios" e nunca vamos conseguir informação de lá e a zona direita quer dizer que há "copos cheios a deitar por fora" e nunca vamos conseguir tirar informação de lá, para alem do branco puro. A máquina ter uma maior ou menor gama dinâmica só nos vai facilitar ou complicar a vida no momento de fazer a fotografia, mas desde que se tenha os devidos cuidados é sempre possível fazer a foto, excepto em condições estremas, como incluir o sol na imagem e ao mesmo tempo uma zona de sombra.
Espero que tenha sido esclarecedor, se tiverem alguma duvida perguntem, de preferência por aqui, porque a duvida de um pode ser a duvida de muitos.






























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